Gestão de risco é o conjunto de regras que limita o efeito de uma operação, de uma sessão e de uma sequência de perdas. Numa prop firm, é necessário respeitar simultaneamente o teu plano e o contrato da avaliação. Um stop por operação não substitui o limite diário, e o saldo nominal da conta não representa a margem de perda disponível.

Os números seguintes são cenários pedagógicos. Não constituem uma percentagem de risco recomendada para o teu caso, nem uma regra aplicável a todas as empresas.

O saldo da conta pode dar uma falsa sensação de margem

Imagina uma conta simulada de 100 000 unidades com um limiar total de 95 000. A distância inicial até esse limiar é 5 000. Uma operação com risco planeado de 1 000 parece representar apenas 1% do saldo nominal, mas consome 20% dessa margem. Custos e slippage podem reduzir a distância ainda mais.

Este exercício mostra por que razão a percentagem do saldo, isoladamente, é insuficiente. Antes de definir uma quantidade, identifica a equity atual, o limiar diário, o limiar total e o efeito das posições abertas. A calculadora de drawdown permite explorar modelos simplificados.

Organiza o risco em três níveis

NívelDecisão a tomar antes de negociarErro a evitar
OperaçãoPerda planeada, stop e quantidadeAumentar a posição para atingir um lucro desejado
SessãoLimite pessoal, custos e regra de interrupçãoContinuar porque o limite contratual ainda não foi atingido
Conjunto da contaExposição simultânea e margem até aos limiaresTratar cada posição como independente

Um limite pessoal pode ser mais restritivo do que o limite da firma. A diferença funciona como reserva para custos, movimentos rápidos e erros de execução. Essa reserva precisa de ser escolhida com base no produto e no processo, sem depender de uma fórmula universal.

Exemplo de um orçamento de sessão

Suponhamos que uma sessão tem um orçamento de perda planeada de 300 unidades, incluindo uma reserva de 30 para custos e desvios. Restam 270 para distribuir pelas decisões previstas. Se o plano permitir até três operações de 90, a terceira só pode acontecer se ainda houver margem e se existir um sinal válido.

Isso não significa que devas fazer três operações, nem que três stops garantam uma perda máxima de 270. Uma execução pior pode ultrapassar o orçamento. O exemplo serve para verificar a coerência entre regras, não para prometer controlo perfeito.

Conta as posições que se movem em conjunto

Comprar dois instrumentos muito sensíveis ao mesmo fator pode aumentar a exposição a um único movimento. Por exemplo, duas posições sobre índices de ações podem sofrer ao mesmo tempo numa queda ampla do mercado. A relação entre instrumentos pode mudar; não assumas que a correlação histórica se mantém.

Regista o risco agregado das posições abertas. Pergunta o que acontece se todos os stops forem atingidos, se houver um salto de preço e se uma ordem de saída falhar. O limite da plataforma pode considerar perdas flutuantes antes de fechares qualquer posição.

Perdas e recuperação não são simétricas

Se um capital passa de 100 para 90, perdeu 10%. Para voltar a 100 precisa de ganhar 10 sobre 90, ou cerca de 11,11%. Depois de perder 20%, a recuperação exige 25%; depois de perder 50%, exige 100%. A fórmula é perda / (1 − perda), expressando a perda como fração.

Estes cálculos descrevem a aritmética da recuperação; não medem a probabilidade de a conseguir. Em avaliações com limites de drawdown, a conta pode ser encerrada muito antes desses exemplos extremos.

Define o que acontece depois de uma perda

Uma regra útil precisa de indicar uma ação observável. “Ter disciplina” é vago; “rever as ordens pendentes e interromper a sessão ao atingir o limite definido” pode ser verificado. Se alterares o risco, regista o motivo antes da operação seguinte.

Avalia a perda como parte de uma distribuição de resultados. Uma operação que cumpre o plano pode perder. Uma operação que viola o plano pode ganhar e continuar a ser um erro de processo. O diário de trading deve separar estas duas dimensões.

Perguntas frequentes

Arriscar 1% por operação é sempre prudente?

Não. A mesma percentagem pode consumir uma parte muito diferente da margem de perda, conforme o contrato, a alavancagem e as posições abertas. Calcula primeiro o risco monetário e a distância até aos limites.

Um stop-loss garante a perda máxima?

Não. Num stop que se transforma numa ordem de mercado, o preço executado pode diferir do preço de ativação. Uma ordem stop-limit tem outro risco: pode não executar.

Posso recuperar uma perda aumentando a posição?

Uma posição maior também amplia a perda possível. Recuperar depressa não é um critério suficiente para dimensionar risco. Uma alteração deve fazer parte de um plano testado, não ser uma reação ao resultado anterior.

Fontes e exercícios

As contas e os cenários deste guia são exemplos originais, sem associação a uma firma. Edição: 28/10/2026.

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